FESTA DE REIS – UM TEMPO DE UNIÃO E BEM-ESTAR
Nesse dia, o tempo pousou devagar. Não correu. Não apressou ninguém. Ficou ali, sentado entre gerações, a escutar.
No Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, juntámo-nos como quem regressa a casa. Não era apenas uma festa — era um encontro antigo, desses que se reconhecem no olhar. Um espaço onde as mãos pequenas encontraram as mãos marcadas pelo tempo e aprenderam, sem palavras, que crescer também é ouvir.
Os mais novos trouxeram o espanto. Os mais velhos trouxeram o chão. E entre ambos nasceu esse lugar invisível onde a memória se transforma em futuro.
As palavras chegaram primeiro, ditas em voz calma pela Senhora Vice Presidente, Sara Silva, acompanhada pelas crianças. Um conto simples, como são simples as coisas que ficam. As frases não eram apenas som: eram abrigo, eram ponte. O passado inclinou-se para a frente, o futuro sentou-se atento, e durante um instante o mundo pareceu inteiro.
Depois veio o circo. Não o das luzes excessivas, mas o do sorriso partilhado. O Circo Andante entrou como entra a alegria: sem pedir licença. Corpos em movimento, gargalhadas no ar, olhos abertos como janelas. Ali, ninguém tinha idade. Só presença.
E então, ergueram-se as vozes antigas. O Cante Alentejano, trazido pela UniSem – Universidade Sénior, encheu o espaço de terra e de raiz. Cantava-se o que foi aprendido ao longo da vida, o que se guardou na pele, o que se oferece sem medo de perder. Cada verso era um fio, e todos juntos teciam a mesma história.
No fim, juntámo-nos à volta da mesa. Não para comer apenas, mas para permanecer. O pão passou de mão em mão, os bolos contaram histórias, o chá, o sumo e o vinho aqueceram as conversas. O Fórum transformou-se em casa — e casa é onde o afeto encontra lugar.
Aos que estiveram, aos que ajudaram, aos que trouxeram um bolo, uma bebida, um donativo, um gesto, um tempo (Cidalisa Costa, Paula Raposo, Rita, Ana Fernandes, Cristina Cordeiro, Sónia Lavado, Mercedes, Irene, Rosa Fera, Alzira Encarnação, Cláudia Oliveira, Beatriz Soares, Benvinda Vasques, Valentina Simões, Cristina Marques e Pilar Areias): o nosso agradecimento. À Câmara Municipal da Moita, à UniSem, à Confeitaria Perdigão, à Garcia & Filhos, a todos os que tornaram possível este momento — obrigado por ajudarem a acender esta luz.
Porque festas assim não se fazem de programas. Fazem-se de pessoas. De memórias partilhadas. De silêncios bons.
E da certeza de que, enquanto houver encontros, haverá futuro.









